fbpx

Entrevista com Profissionais – Prof. Ana Laura D´Amico

Entrevistamos a Medica Veterinária  Ana Laura D´Amico, formada na PUC-PR, realizou residencia na mesma instituição na área da Patologia Clinica…E não parou por ai, fez especializações e mestrado na mesma área. Hoje trabalha como professora da Veteduka, Professora da UTP, Professora da Qualittas e é Diretora do Laboratório Veterinário Próvita.

A ENTREVISTA!!

P: Ao fim da graduação você se sentia insegura quanto ao início da tua carreira?
R: MUITO! É engraçado como durante toda a faculdade o maior desejo dos alunos é que ela acabe logo. Comigo não era diferente. Muitas provas, muitas disciplinas ou professores que não são do nosso agrado…. Comigo não foi diferente! Passei por esse mesmo sentimento até que no último semestre vem aquela noção de: Caracas, está
acabando e eu não sei NADA! A minha sorte foi que durante toda a faculdade sempre fiz muito estágio e isso me fez aprender muito e encontrar a minha área de paixão: a Patologia Clínica. Mas vejo muitos alunos que chegam no último ano e ainda não sabem o que querem dentro da veterinária. Isso deve ser muito desesperador.

P: Você acha que construir um currículo desde cedo é importante? Como o aluno pode
fazer isso?
R: Com toda certeza! Eu queria muito ter tido alguém que me falasse já no primeiro período de faculdade: pense no seu currículo!!!!! Infelizmente, a gente costuma perceber que não tem nada no currículo no final da faculdade e aí já é tarde para construir uma formação sólida. O currículo é uma das etapas de pontuação em processos seletivos para residência, especializações, mestrado e doutorado. Ter um currículo sólido é fundamental. Participar de eventos, organizar palestras, fazer monitorias, muitas horas de estágio, língua estrangeira e publicações são algumas das coisas que pontuam um bom currículo e que eu consegui fazer durante a faculdade.

P: Faz sentido fazer cursos de atualização desde a graduação? Cursos EAD podem ser
uma opção?
R: Faz sentido fazer cursos de atualização a qualquer momento da vida! Durante a graduação sinto que esses cursos serão muito mais aproveitados se você já teve a disciplina, uma vez que a carga horária é menor do que a da faculdade e alguns conceitos são passados de forma bem rápida. Os cursos EAD se tornam uma ótima opção, já que você faz o seu horário e o custo é baixo. Porém, EU não sou uma boa aluna para EAD. Sou muito indisciplinada para isso! Hehehhee…. preciso ter um caderno, anotar tudo, olhar no olho do professor, se não eu viajo nos pensamentos assistindo a aula online. Bom, ainda bem que da pra voltar várias vezes. Hehehe!

P:Você considera a realização da tua residência ter sido importante na tua carreira? Porque? Qual o principal beneficio que ela trouxe?
R: A realização da residência mudou a minha vida. Quando decidi fazer residência só queria em um lugar e só tentei la. Era uma vaga! Olha que loucura? Tinham nove pessoas inscritas, incluindo uma japonesa melhor aluna da minha turma. Quase cai pra trás quando vi o nome dela. Mas era o que eu queria! Era o meu sonho! Passei 30 dias fechada dentro de casa sem celular, sem computador e com mil livros e apostilas e estudei toda matéria diversas vezes antes da prova. Quando vi que eu era a aprovada, fiquei um bom tempo chorando sem acreditar. Tudo isso valeu muito a pena. Durante a residência aprendi MUITO, tanto tecnicamente quanto psicologicamente. Aprendi que não basta você ter QI e saber tudo, você tem que ter QE, saber lidar com a pressão, com o cansaço, com as diferenças entre personalidades. Ser humilde! Ser educado! E ser submisso aos seus superiores! Aprendi durante a residência a falar em público e acredito que por isso hoje sou considerada por muitos alunos como uma professora extremamente didática. Tive que explicar muito, ensinar muito, palestrar muito. Quando eu era residente li um trabalho que hoje tenho maturidade para concordar com ele em 100% da sua retórica: durante dois anos de residência, você aprende o que uma pessoa no mercado de trabalho levará dez para aprender! Isso é muito verdade, pois aos 24 anos já sai da residência tão madura e com tanto conhecimento que já foi possível que eu iniciasse um mestrado e já desse aula para pós graduação, onde quase sempre eu era mais nova que os alunos.

P: Quando e porque optou pela especialidade que atua?
R: Optei pela Patologia Clínica no último período da faculdade. Durante toda a graduação, testei várias especialidades fazendo estágio e até o final estava em dúvida entre clínica de felinos ou patologia clínica. Mas comecei a perceber que nos dias que eu tinha estágio no laboratório eu ficava muito animada pra ir trabalhar, enquanto que nos dias que eu tinha estágio na clínica me dava uma preguicinha e as vezes achava mil desculpas para ligar dizendo que não poderia ir. Esse foi o meu click! Eu gostava mesmo do laboratório, gostava de passar o dia fazendo basicamente as mesmas coisas mas tendo resultados diferentes, gostava de ficar fuçando pra descobrir doenças ou células diferentes, gostava de ficar no ar condicionado e com o som ligado. Heheheheh. Gostava de não ter que ficar escutando o proprietário falar que seu animal adora brincar de bolinha? “Quer ver dotor? Olha esse vídeo dele brincando!” Argh! Depois que optei pela Patologia Clínica e passei na residência vi que é uma área muito mais maravilhosa do que eu imaginava. Existem mil possibilidades de trabalho e pouca gente especializada no mercado. É uma área em que você é bem remunerado e trabalha com qualidade de vida.

P: Os focos de quem quer fazer residência ou mestrado são diferentes? Qual o foco de
cada um desses programas?
R: Ah, com certeza. Acredito que um não substitui o outro, são focos bem bem diferentes. A residência serve para você trabalhar. PONTO FINAL! Você vai aprender no dia a dia a partir de uma rotina pesada. Casos diferentes, exames modernos, cirurgias inovadoras e auxilio contínuo de um grupo de professores. O mestrado serve para você estudar e produzir. Você vai escolher um tema dentro de uma especialidade e estudar só aquilo, produzir só aquilo. Vai te preparar para ser pesquisador e docente.

P: Quando resolveu empreender?
R: Quando estava no mestrado percebi como aquela rotina de pesquisa era chata. Sentia muita falta da correria do dia a dia, de diagnosticar doenças diferentes, auxiliar veterinários, ter contato com os animais. Decidi que não faria o doutorado na sequencia e que queria trabalhar. Foi então que uma veterinária entrou em contato comigo. Ela é dona de uma clínica veterinária e disse já ter ouvido falar de mim e queria trabalhar comigo. Propôs que eu montasse um laboratório dentro da clínica dela. Foi aí que comecei a pesquisar sobre abrir a própria empresa. Esse é o sonho de muita gente, mas confesso que é algo muito difícil. Não é simplesmente investir e comprar coisas e fazer tudo do jeito que você quer. Tem muito planejamento, impostos, cálculos, funcionários, administração, marketing, contabilidade, estratégia por trás. Minha empresa tem hoje seis anos e já temos uma segunda sede. Percebi que você não atinge lugar algum sozinho! Precisa de suporte e uma equipe bastante envolvida. Não é nada fácil, mas me sinto realizada.

P: O desafio para começar a empreender foi mais relacionado a recursos financeiros, ou ao medo de não dar certo?
R: O maior desafio para mim não foi nem o medo nem o financeiro. Eu havia me programado bem financeiramente, tinha exatamente X para montar e Y para me manter durante os primeiros meses da empresa. Não tive medo de investir pois sabia que não tinha como dar errado quando a gente faz aquilo que ama e sabe! Meu maior desafio foi conseguir pessoas de confiança para trabalhar comigo e me inserir no mercado. Infelizmente o cenário da veterinária está bastante saturado e pra você entrar e competir no mercado precisa ter algum diferencial dos demais players.

P: Quais são os horizontes de evolução da sua especialidade?
R: A medicina laboratorial tem evoluído demais nos últimos anos. Novos exames e modernização de tecnologias ocorrem a cada ano no segmento. Acredito que a evolução esteja em realizar exames de PCR (reação em cadeia de polimerase), cultivo de células tronco, cultura e identificação bacteriana automatizada de forma mais ampla e de rotina no dia a dia. E os desafios da medicina veterinária? São muitos: concorrência desleal, anti-ética, baixa remuneração, baixa valorização, pessoas pouco interessadas,…. Mas acredito que todas as profissões tem os seus desafios. Então se você realmente gosta da veterinária, de o seu melhor que o sucesso é uma consequência. Sempre digo a minha equipe: Faça o melhor que você pode nas condições que você tem!

 

Deixe um Comentário

Comece a digitar e pressione Enter para pesquisar